Castro Lima

Crônicas, contos e causos

Textos

O rio
Lembro-me do rio de minha cidade. Todos os dias era preciso ir a ele, pedir-lhe a benção, a cidade carecia dele, que generoso doava-se. Água pura, fresca, corrente, água doce, de beber.

Meninas, moças e senhoras casadas ali buscavam água, lavavam roupa, e cantavam, contavam, viviam. Lembro-me do estalar das roupas nas tábuas e depois o enxaguar no rio de minha cidade. Algumas estendiam as roupas em varais improvisados, que mais pareciam bandeirolas a enfeitar o rio.

Na ruazinha que levava até ele, viam-se os rastros dos pingos deixados pelas vasilhas cheias que transbordavam no balançar dos passos e das ancas de quem as carregavam. Depois de um tempo dentro dele, além das roupas molhadas, os pés saiam limpinhos, branquinhos e as mãos engelhadas, que era engraçado só de olhar.

Amizades se formaram e crianças se criarem às margens do rio de minha cidade. Hoje as meninas daquela época são mulheres, as moças já são senhoras com boa idade, e as senhoras já são morridas, assim como o rio de minha cidade.
Castro Lima

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original ("Você deve citar a autoria de Castro Lima e o site www.castrolimadesouza.com"). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Publicado em 01/01/2010 às 00h20


Comentários

Crie o seu próprio Site do Escritor no Recanto das Letras